Senhor ou Escravo?

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A criação de uma rede de computadores conectados entre si, vem transformando e redefinindo comportamentos ao longo de várias gerações.

Manuel Castells, afirma em seu livro “A Galáxia da Internet”, que o nascimento da web pode ser comparado ao surgimento da energia elétrica. Com esta afirmação, podemos dimensionar o grau de importância que este meio adquiriu e continua adquirindo em nossas vidas.

Minha preocupação é com o fato de que, a cada dia, estamos mais máquina e menos humanos, pois muitas vezes preferimos mandar um SMS; deixar uma mensagem no “face”, para um amigo, felicitando pelo seu aniversário, em vez de irmos até sua casa e desejar-lhe parabéns.

Com tantas facilidades proporcionadas pelas novas tecnologias, é indiscutível o fato de nos sentirmos atraídas por elas. Foi assim com a eletricidade, com o automóvel, a geladeira, o fax, a máquina de escrever e, claro, não seria diferente com a internet. Mas, até que ponto estas facilidades são positivas? Até que ponto facilitar tanto nossa vida deixa de ser algo positivo e se voltar contra nós?

De acordo com o Ibope/NetRatings, em 2008 éramos mais de 40 milhões de conectados. Se por um lado, esses números demonstram que o mundo está conectado usufruindo das vantagens da internet, por outro lado, indica que o mundo está trocando a vida real pela virtual, pelo menos um dia inteiro por mês.

Nossos comportamentos foram remodelados, as tecnologias globalizantes tendem a encurtar distâncias, e isso está provocando mudanças na formação dos relacionamentos pessoais. Uma das doenças que afligem muitos viciados em internet é o chamado Transtorno de ansiedade social, que se caracteriza pelo receio das interações sociais, como, por exemplo, ir à escola, sair na rua, falar em público ou paquerar.
A primeira vista, estes sintomas podem ser observados em pessoas muito tímidas, entretanto é muito além de timidez, pois o problema se deve pelo fato do medo que portadores deste transtorno possuem de receber avaliações, seja de juízos de comportamento, estético ou mesmo de falarem o que pensam.

Esse transtorno é muito mais detectado em jovens com menos dos 18 anos, pois a formação da personalidade de grupo se dá justamente nesta fase. E como os nossos jovens estão trocando as conversas pessoais por chats, redes de relacionamento, jogos online e a própria internet, há uma lacuna no desenvolvimento deste fator relacional, o que reflete em adolescentes mais tímidos, com poucos amigos reais, mais consumistas e elevação do número de problemas psicológicos.

Existe uma série norte-americana chamada True Life e exibida no Brasil pela MTV, que mostra o drama de três meninas norte-americanas que não conseguem ser quem realmente são fora do mundo virtual.

O que pretendo propor com esse post, é uma reflexão, sobre até onde estamos deixando de lado outras esferas da vida social. Pois como já dizia minha avó, tudo que é em excesso, faz mal.

Quando você usa algo para o seu benefício, isso é saudável. Entretanto, se você é usado por esse algo, aí temos que inverter o jogo. Seja senhor de si mesmo!

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